Este blog é fruto da vontade de pesquisadores/as unidos/as pelo interesse em pensar a experiência da infância na contemporaneidade amplamente perpassada pelas novas tecnologias da comunicação. Tem o objetivo de agregar informações relevantes acerca da criança e sua participação na cultura midiática infantil, com o intuito de refletir sobre a experiência da infância e os agenciamentos promovidos a partir das redes sociais.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Mapa da infância brasileira
e de vida das crianças, suas famílias e comunidades a participar! Acessewww.mapadainfanciabrasileira.com.br, faça seu cadastro pessoal, cadastre suas iniciativas e conteúdos.
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Sweja exibidor: territórios do brincar
http://territoriodobrincar.com.br/noticias-midia/seja-exibidor-do-filme-territorio-do-brincar/
Durante dois anos, os documentaristas Renata e David viajaram pelo Brasil registrando o brincar universal de meninos e meninas de diferentes realidades e, neste documentário, reuniram, com olhar sensível e cuidadoso, os gestos infantis que contam histórias, revelam narrativas, constroem uma linguagem própria do brincar e nos apresentam a nós mesmos.
Neste ano foi lançado o documentário “Território do Brincar”, com direção de Renata Meirelles e David Reeks e produção da Maria Farinha Filmes e Ludus Vídeos e Cultura. O filme ficou em cartaz entre maio e julho de 2015 em diversas cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Salvador, e também teve exibições na Índia, Espanha e Colômbia.
Para aqueles que não tiveram a oportunidade de assistir ao filme na telona, eis a boa notícia: ele já está disponível para exibições gratuitas na plataforma VIDEOCAMP.
O VIDEOCAMP é uma iniciativa do Instituto Alana e tem como missão reunir pessoas interessadas e filmes interessantes, capazes de, juntos, movimentar assuntos socialmente relevantes.
Se você tem interesse em realizar uma exibição pública do filme ‘Território do Brincar’ para sua comunidade basta clicar aqui e preencher o formulário. Após o envio da solicitação você receberá – em até 72h – uma senha para liberação do filme.
Desejamos que o Território do Brincar provoque, emocione, inspire e engaje você e sua comunidade. Ao exibi-lo você se torna um multiplicador e contribui para espalhar e fortalecer um olhar sensível e cuidadoso para a infância.
Importância das brincadeiras de rua
fonte: http://transporteativo.org.br/wp/2015/09/18/a-importancia-das-brincadeiras-de-rua/
Muitos adultos tem lembranças afetivas de sair para brincar nas calçadas e nas rua durante a infância. O calçamento pouco importava, podia ser asfalto, pedras ou terra. Para as crianças atualmente a história é bastante diferente, mas não precisa ser.
Com um pouco de planejamento e imaginação, “brincar na rua” pode ser uma parte importante da vida de nossos filhos também.
Pesquisas na Inglaterra atestam que 90% dos adultos brincavam regularmente em suas ruas na infância. A maioria das crianças hoje gostaria de fazer o mesmo, mas um terço da população inglesa entre 7-14 anos não brinca ou nem ao menos frequenta sua rua.
Brincadeiras de rua são um degrau fundamental para crianças e adultos responsáveis na jornada do brincar supervisionado da primeira infância para a vida independente dos adolescentes.
A ONG inglesa “Playing Out”, que ajuda moradores a organizarem suas oficinas comunitárias, elaborou uma lista de benefícios das brincadeiras de rua:
- é semi-supervisionado – as crianças podem brincar enquanto os adultos se dedicam as atividades domésticas;
- encoraja o brincar livre – as crianças seguem suas próprias idéias e interesses;
- é fácil de organizar e na porta de casa – crianças gostam de brincar perto de cada e não é necessário levá-las a lugar nenhum;
- provê espaço para grandes e enérgicas brincadeiras – a maioria das praças é pequena demais para pedalar uma bicicleta ou andar de patinete e muitas crianças não tem acesso a um parque de maneira independente;
- desenvolve um maior espírito comunitário onde vizinhos zelam uns pelos outros;
- as crianças encontram e fazem amizade com crianças de outras escolas e faixas etárias.
Por onde começar
No começo, você pode querer ficar por perto enquanto seus filhos brincam. É possível se dedicar ao jardim, para os que moram em casa, ou conversar com vizinhos. Busque envolver-se o mínimo possível na brincadeira dos pequenos – deixe que eles decidam o que fazer e como fazê-lo.
Convide crianças vizinhas e seus responsáveis para se juntarem à brincadeira quando sentir segurança para isso e deixe-as brincar na calçada enquanto você está em casa. É importante estabelecer barreiras sobre onde elas podem e não podem ir e lembrá-las de ficarem atentas ao trânsito motorizado. Deixe a porta entreaberta para poder ouvir as crianças e conferir de vez em quando o andamento da brincadeira.
Idéias de brincadeiras de rua
As crianças muito provavelmente irão preferir inventar seus próprios jogos de rua, ou tentar algumas das idéias abaixo:
- rodas – crianças adoram a oportunidade de usar suas bicicletas, patins e patinetes na rua;
- giz – crianças inventam são capazes de fazer lindos desenhos no asfalto que embelezam a rua;
- bolas – um jogo de queimada, ou até uma partida de futebol são excelentes possibilidades;
- jogos de rua tradicionais – brincadeira velha é brincadeira boa – as crianças irão amar conhecer as brincadeiras que seus pais e avós brincavam.
Quem precisa lembrar ou ter novas idéias de brincadeiras tradicionais, vale conferir algumas mapeadas pelo projeto Território do Brincar.
Uma opção interessante é organizar “sessões de brincadeira de rua”, abrindo as ruas para as crianças e limitando o trânsito motorizado por algumas horas no contraturno escolar. Dessa maneira as crianças podem brincar na pista e também nas calçadas.
Moradores podem ter acesso com seus automóveis e até mesmo deixá-los estacionados na rua. Restrições de trânsito podem ter requisitos burocráticos ou no mínimo sinalização viária com cones para lidar com os automóveis. As crianças devem ser encorajadas a fazer o que sentirem vontade: elas podem pintar o asfalto com giz, jogarem futebol, ou brincar com suas bicicletas e patinetes.
Festas de rua
Uma festa de rua é um pequeno evento particular organizado por moradores para moradores e que envolve comidas, bebidas, brincadeiras e música. Em geral envolve o fechamento da rua para trânsito motorizado e fazer um requerimento formal para as autoridades locais. Pode ainda ser necessária uma autorização para tocar música ao vivo ou comercializar bebidas.
Uma festa de rua é uma maneira maravilhosa para:
- encontrar e conhecer seus vizinhos;
- aproveitar a rua livre de carros;
- dar às crianças a chance de experimentar brincar na rua em um ambiente seguro, sem tráfego e com muitos adultos para supervisioná-las.
Festas de rua são excelentes eventos teste para a implementação de ruas de lazer, uma política municipal de abertura do espaço viário para pessoas que já é lei em diversas cidades brasileiras.
O projeto Prioridade Absoluta tem modelos de como fazer uma requisição para uma rua de lazer. Além disso, a organização inglesa “Streets Alive” oferece uma série de informações sobre como organizar uma festa de rua.
Para todas as idades, as ruas foram feitas para brincar
https://www.youtube.com/watch?t=1&v=D-B6CjPRIFc
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Escola onde as aulas acontecem dentro da floresta
leia mais: http://www.hypeness.com.br/2013/10/uma-escola-onde-as-aulas-acontecem-dentro-da-floresta/
A educação passa por um processo de transformação. O modelo educacional vigente está desfasado há décadas e não podemos tentar ensinar às nossas crianças e adolescentes um conteúdo que eles podem acessar na hora que quiserem em qualquer celular que tenha wi-fi. Muitos movimentos de vanguarda acontecem pelo mundo (e felizmente aqui no Brasil também, e com sucesso – relembre aqui) e um deles é a IslandWood, uma escola ao ar livre em Seattle, nos EUA.
IslandWood é um exclusivo centro de aprendizagem ao ar livre de 255 hectares, projetado para oferecer experiências excepcionais de aprendizagem ao longo da vida e inspirar a gestão ambiental e da comunidade, combinando a pesquisa científica, a tecnologia e as artes para ajudar os estudantes a descobrir as conexões naturais e passarem a se integrar mais à natureza, coisa que não acontece no cotidiano urbano das crianças.
Baseada nas ideias de aventura e exploração sugeridas pelas próprias crianças da região, Debbi e Paul Brainerd, moradores de Bainbridge Island nos EUA, fundaram a escola na floresta em 1997 – uma organização sem fins lucrativos e que conta com um design inovador, que se tornou exemplo de economia de energia e de estilo de vida sustentável, ensinando valores vitais para o desenvolvimento crítico e analítico dessas crianças.
A escola prova que a natureza, com sua infinita beleza e força, consegue nos auxiliar a sermos pessoas melhores, mais saudáveis e mais conectadas a valores que realmente valem a pena.
PROJETO INDÍGENA DIGITAL SE EXPANDE PARA AS CINCO REGIÕES DO BRASIL
http://oindigenista.com/2015/06/05/projeto-indigena-digital-se-expande-para-as-cinco-regioes-do-brasil/
A capacitação da juventude indígena no manejo das novas tecnologias é mais um passo para a autonomia e emancipação dos povos originários.
A Universidade Federal de Santa Catarina, através do IELA, iniciou em 2011 um importante projeto de inclusão digital das comunidades indígenas do estado. O trabalho, coordenado pela professora Beatriz Paiva (Serviço Social/UFSC), começou na Terra Indígena Morro dos Cavalos, com uma comunidade Guarani que vive próximo à Florianópolis. Desse processo foi produzido um importante vídeo sobre a cultura local, difundido pela rede mundial de computadores. Depois, em 2013, por conta do sucesso da proposta, o grupo de trabalho decidiu ampliar o projeto para todo o estado de Santa Catarina, abrangendo mais outras quatro aldeias da etnia Guarani. A partir daí essas cinco aldeias Guarani foram visitadas e, em cada uma delas, criado um núcleo de discussão e capacitação para o uso das novas tecnologias. Foram realizadas oficinas, nas quais os equipamentos de vídeo e fotografia eram apresentados e os jovens indígenas capacitados para o manuseio. O objetivo final desse processo foi a filmagem e a construção de um vídeo em cada aldeia, tudo feito pelos próprios Guarani. Cada comunidade decidiu-se por um tema específico: a situação da aldeia, o milho, folguedos tradicionais, coral indígena e demarcação de terra. Todos esses projetos estão em processo de finalização e logo serão divulgados.
A rica experiência de inclusão digital em Santa Catarina, que se estendeu por quatro anos, levou o grupo coordenado por Beatriz Paiva a propor um passo mais ousado, que culminou com a construção de um novo projeto – semelhante ao vivido no estado – para todo o Brasil. Assim, nasceu o projeto de Inclusão Digital Indígena Nacional que pretende formar jovens e adultos indígenas no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação, principalmente aquelas voltadas para produção, edição e veiculação de audiovisual.
Essa terceira fase do trabalho começou em fevereiro de 2015 e está sendo feita em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, suas representações locais (Arpinsul, ArpinPan, ArpinSudeste, CGY, COIAB, APOINME, Aty Guassu), Universidades Federais ou Institutos Federais de cada região e a Fundação Nacional do Índio.
Ao todo são cinco regiões do país e cinco etnias (Tembé, Kaingang, Guarani, Tupiniquim, Apib), respectivamente nos estados do Pará, São paulo, Paraná, Pernambuco e Distrito Federal. Todas essas comunidades receberão capacitação em audiovisual, fotografia, produção e edição de vídeos, com a veiculação virtual e material dos conteúdos produzidos, nos mesmos moldes do trabalho que foi realizado em Santa Catarina.
A intenção é fortalecer essa articulação de entidades para que, mais na frente, se possa pensar em um programa de universalização da Inclusão Digital para os indígenas de todo o Brasil. “Apostamos que com a socialização dos conhecimentos com os Povos Indígenas, favorecendo o respeito ao modo tradicional de viver de cada povo e o seu fortalecimento, poderemos estabelecer um novo marco das relações de comunicação indígena. Este projeto de extensão, além de contribuir para o fortalecimento das práticas de extensão na Universidade Federal de Santa Catarina e particularmente no curso de Serviço Social desta instituição, é uma iniciativa inédita em nível nacional”, diz Beatriz Paiva.
Toda essa proposta, que começou em Santa Catarina, está baseada no profundo compromisso que tanto o Departamento de Serviço Social, como o IELA, onde o projeto está sediado, têm com a defesa dos direitos dos povos indígenas. Ancorado nessa ideia, o grupo liderado pela professora Beatriz, realizou um amplo trabalho de consulta prévia junto aos povos indígenas para que fossem eles os que decidissem qual seria o caminho a tomar. Articulados pela APIB foram os próprios indígenas que decidiram onde e quais seriam as comunidades atendidas.
domingo, 31 de maio de 2015
segunda-feira, 25 de maio de 2015
manifesto: Criança já pra fora
Manifesto “Criança, já pra fora!”
Nelson Mandela, esse grande herói do nosso tempo, que dizia que o verdadeiro caráter de uma sociedade é revelado pela forma com que ela trata suas crianças.
Nossos filhos e filhas são nosso maior bem. Queremos protege-los de todo mal; a maioria de nós seria capaz de sacrificar a própria vida pela sua felicidade.
No entanto, há um paradoxo: essas mesmas crianças que são nosso maior tesouro, vem sendo muito mal tratadas por nossa sociedade.
Com relação às crianças pobres, a maioria em nosso país, somos simplesmente criminosos: elas são privadas de direitos básicos, não tem acesso à uma boa educação, à saúde, à moradia e alimentação, são tratadas com negligência e violência. E se alguma se comporta mal, o que propomos? A cadeia.
Mas mesmo para filhos e filhas de famílias de posição social privilegiada, a situação também não anda boa.
Convivem pouco com os pais, ficam muitas vezes o dia inteiro em creches e instituições – estamos perdendo a intimidade com nossas crianças. São confinadas entre quatro paredes, e sua energia natural para correr, pular e brincar é reprimida. Passam 5, 6, 8 horas por dia em frente a telas de tablets, telefones e TVs, viciadas em distração compulsiva e sendo educadas por uma publicidade nociva, que instila consumismo, alienação e materialismo. Se alimentam de alimentos industriais que prejudicam sua saúde, ou de vegetais inundados de agrotóxicos. Não conseguimos mais dar limites; ganham presentes demais e presença de menos. São superprotegidas e não aprendem a lidar com frustrações e dificuldades. Tem compromissos demais, e tempo para o brincar livre e criativo de menos. Todas esses fatores nocivos se alimentam uns aos outros, em ciclos viciosos cada vez mais complexos.
Quando depois disso tudo se comportam mal, são desatentas, agitadas ou rebeldes, o que lhes propomos? Em vez de refletir e transformar esse contexto negativo, a sociedade impõe a pior violência: a medicalização. Rotulamos crianças normais e saudáveis como doentes e portadoras de transtornos, e normatizamos seu comportamento com drogas psicoativas com efeitos colaterais graves.
Mas há outros caminhos possíveis. Uma situação complexa como essa não se resolve de uma vez; mas precisamos puxar um fio do novelo, começar a criar ciclos virtuosos em vez de viciosos.
Há muito sabemos o que nos faz saudáveis, como indivíduos e sociedade. São fatores como trabalho e renda dignas, educação, boa moradia, saneamento, boa alimentação, atividade física / recreação, convívio em espaços públicos e naturais, vida cultural, e uma distribuição justa destes direitos.
O que fica cada vez mais claro é a convergência de saúde humana – física, mental, espiritual social – com a saúde planetária, e sustentabilidade. Tudo que você faz para beneficiar sua saúde, vai beneficiar também o meio ambiente; e tudo que faz bem à natureza, faz bem à saúde. Veja: andar de bicicleta faz bem ao corpo e à cidade; transporte coletivo – reduz a poluição, reduz o tempo de deslocamento e aumenta o tempo de convívio; cuidar dos resíduos e reciclar diminui doenças como a dengue e poupa os recursos naturais; comer orgânicos – faz bem ao solo, aos rios, aos animais e ao corpo.... tudo converge.
Uma maneira simples, factível e eficaz de começar a reverter os ciclos de males para a infância é trazer crianças e famílias para o espaço aberto, a rua, o parque, a natureza.
Os benefícios diretos dessa atitude aparentemente tão simples e são inúmeros, e muito importantes:
• Afasta das telas – regula o uso de aparelhos, gera mais consciência e menos distração;
• Reduz o consumismo e o materialismo excessivo;
• O livre brincar promove a inteligência, humor, imaginação e criatividade;
• Promove o convívio afetivo entre pais, avós e filhos, e entre crianças de diversas idades, capacidades, extratos sociais – desenvolve a empatia;
• Pelo contato com o sol e o ar puro e o verde, induzem a recreação e atividade física, e promovem o bem estar físico, emocional e mental;
• A ciência diz: reduz a obesidade, hiperatividade, agressividade, alergias, distúrbios do sono;
• Ciência de novo: melhora a imunidade, a atenção, a escolaridade e socialização.
• Reduz o consumismo e o materialismo excessivo;
• O livre brincar promove a inteligência, humor, imaginação e criatividade;
• Promove o convívio afetivo entre pais, avós e filhos, e entre crianças de diversas idades, capacidades, extratos sociais – desenvolve a empatia;
• Pelo contato com o sol e o ar puro e o verde, induzem a recreação e atividade física, e promovem o bem estar físico, emocional e mental;
• A ciência diz: reduz a obesidade, hiperatividade, agressividade, alergias, distúrbios do sono;
• Ciência de novo: melhora a imunidade, a atenção, a escolaridade e socialização.
Lugares abertos são lugares criança ser criança, inventar sua própria narrativa, usar a imaginação, experimentar a vida em sua plenitude.
Tudo que é humano se beneficia. Estudos mostram que os indicadores de saúde pública melhoram apenas tornando os bairros mais verdes. As desigualdades em saúde diminuem com arborização e construção e manutenção de áreas verdes e de recreação.
Muito especialmente, a volta ao espaço aberto e ao contato com natureza nos abre uma outra perspectiva: a conquista da rua, da cidade, do espaço público pelas famílias. Não estamos falando de condomínios com Espaço Gourmet, Espaço Fitness e agora com... Espaço Green. Isso só aumenta a desigualdade, e essa é a maior causa de doença no Brasil.
Estamos falando de vencer os muros, do convívio com a diferença, com a diversidade, com outras realidades sociais. Da construção da empatia, da cidade democrática, abraçada pelos seus cidadãos, pertencente à eles e não aos carros, ao crime ou à especulação. A cidade verde, governada para a equidade, a saúde e a sustentabilidade.
Muitas iniciativas vem surgindo, caminhando nessa direção. A palavra “ocupar”, antes usada como símbolo de resistência cidadã, agora significa também a ocupação dos espaço público. São milhares de iniciativas de indivíduos, grupos, organizações, empresas, propondo atividades na natureza, festivais, jogos e brincadeiras, mutirões de conservação e embelezamento de praças, hortas escolares e comunitárias, passeios a pé, atividades em parques naturais.
Essa é a grande solução para as nossas cidades. Famílias na rua, exigindo politicas públicas que nos ofereçam praças e parques bem cuidados e cheios de vida e cultura, ciclovias e transporte público de qualidade, atividades escolares que garantam o direito de crianças da periferia aos espaços naturais, e muito mais.
Nesta página nos propomos a disseminar e divulgar as boas práticas e iniciativas que promovam essa reconquista do espaço público e da natureza. Mandem para nós os links de suas iniciativas – desde campanhas, organizações e alianças, até programações em praças e parques locais. Queremos ser um “hub” que dissemine essa ideia e a sua colocação em prática.
Vamos pra rua, vamos brincar, e participar da construção de cidades abertas, conviviais, verdes, brincantes, equitativas. Cidades mais saudáveis e mais felizes.
Ciclo: Infâncias e brincar como direitos da criança
http://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/infancias-e-brincar-como-direitos-da-crianca
(Foto: Vincenzo Pastore)
As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do inicio da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.
Ciclo com quatro encontros que discutem diferentes possibilidades de infância e o brincar como direitos fundamentais de toda criança.
Rua Dr. Plínio Barreto, 285
4º andar do prédio da FecomércioSP
Bela Vista - São Paulo/SP
Programa
O brincar está intrinsecamente conectado as formas de conceber as possíveis infâncias em uma determinada cultura e sociedade. Neste ciclo, pesquisadores e profissionais de diversas áreas se encontram para problematizar aspectos diversos da infância e do brincar na nossa sociedade.
25/05 – Brincar a partir do olhar para a infância: séc. XIX até a contemporaneidade
A atividade propõe um olhar acerca do brincar (ou não brincar) considerando a existência de não “uma infância”, mas de diversas infâncias, pairando sobre a invisibilidade de algumas infâncias desde o século XIX até os dias atuais.
O debate será iniciado lançando olhar para a iconografia do século XIX, considerando as questões de gênero, raça e classe social e deste modo problematizando a representação presente no imaginário social desse período e evidenciando a maneira pela qual a criança e a infância foram retratadas no século XIX e início do século XX, em especial, a criança negra. Já na contemporaneidade, uma série de conquistas legais referentes a criança estão presentes, no entanto, a realidade segue muito diferente e os direitos prescritos não são garantidos da mesma forma a todas. Neste contexto o “direito ao brincar”, também se configura a partir de fatores sociais, culturais e econômicos e influenciam fundamentalmente para uma menor ou maior garantia. Analisaremos as diversas infâncias e como tais fatores podem influenciar na garantia do direito ao brincar das crianças e consequentemente no seu desenvolvimento.
26/05 – Concepções indígenas de infância: olhares sobre brincar, aprendizagem e participação infantil
Os estudos da Antropologia da Criança Indígena no Brasil trazem contribuições significativas para compreendermos como na infância indígena, a educação se dá a partir das formas como cada comunidade pensa e organiza a vida coletiva a fim de garantir o futuro das novas gerações. Os estudos recentes deste campo de conhecimento, pautados numa etnografia que vem se consolidando como conhecimento sobre as sociedades indígenas desde a década de 1990, evidencia que nas pesquisas sobre a criança indígena ainda está presente uma visão “adultocêntrica” e etnocêntrica.
A infância em todas as sociedades indígenas é um tempo do viver e aprender coletivamente, não há hierarquias nas aprendizagens e nem em quem ensina, pois tanto a criança aprende quanto ensina. Os papeis sociais da criança são diferentes em cada contexto social destas comunidades e assim, pode-se afirmar que não há uma única forma de ser criança ou concepção de infância entre os povos ameríndios. O brincar expressa esta liberdade de aprender e ensinar coletiva que evidencia os contextos ambientais e históricos que cada um dos aproximadamente 300 grupos étnicos que vivem no Brasil. Neste processo, aparentemente despretensioso e lúdico, a criança vai dando sentido e significado a sua forma única de ser e estar no mundo, como parte de uma cosmologia que é própria de cada sociedade indígena.
27/05 – Brincar na diversidade: infância, identidade e diferença
Para tentar dar conta de questões que tratam do brincar, do brinquedo e do direito da criança, a Profa. Leni Dornelles discute como as crianças funcionam nas brincadeiras com bonecos e bonecas com corpos “diferentes”. Nessa discussão são tratados os efeitos que o brincar apenas com um tipo de corpo (magro, branco, de cabelos lisos, etc.) vem produzindo nos corpos infantis. Qual a relação que pode haver entre bonecos ‘gordos, negros, cadeirantes, velhos, etc.’, a infância e a educação das crianças? Será que em nossas escolas estamos trabalhando para que um outro estilo de brincar possibilite a fabricação de crianças mais generosas e menos preconceituosas? Será que estamos tratando de uma educação antirracista desde a educação infantil?
As professoras Amanda Gomes e Fátima Pinheiro compartilham a experiência e os resultados do trabalho com diversidade étnico-racial e de gênero na educação infantil. Diluídas dentro dos fazeres cotidianos das crianças, as ações são pensadas em todos os âmbitos: na escolha dos brinquedos (panelinhas, carrinhos, fantasias, sapatos de salto, bonecas, caixas temáticas de cabeleireiro e escritório), nas imagens que são colocadas nas salas, nas brincadeiras de quintal e de roda, nos textos e livros que serão lidos e na forma de falar e escrever com os meninos e meninas e demais adultos envolvidos no cotidiano.
28/05 – Tarja Branca – A revolução que faltava
Documentário produzido a partir de depoimentos de pessoas de diferentes origens, gerações e profissões aborda o brincar como um dos aspectos fundamentais da natureza humana. O filme coloca em questão a interligação entre o brincar e o espírito lúdico cada vez mais frágil no cotidiano de homens e mulheres que vivem em grandes cidades. O título “Tarja branca” ironiza o crescente uso dos medicamentos controlados especialmente entre crianças.
(Foto: Vincenzo Pastore)
As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do inicio da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.
Bibliografia
ABRAMOWICZ, A. ; Débora de Barros Silveira ; JOVINO, I. S. ; SIMIAO, L. F. . Imagens de crianças e infâncias: a criança na iconografia brasileira dos séculos XIX e XX. Perspectiva (UFSC), v. 29, p. 263-293, 2011:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/2175-795X.2011v29n1p263
Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D99710.htm
Estatuto da Criança e do Adolescente:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
GRANDO, B. S. (Org.); CARVALHO, D. (Org.) ; DIAS, T. L. (Org.) . Crianças - Infâncias, culturas e práticas educativas. 1. ed. Cuiabá-MT: EdUFMT, 2012. v. 1. 311p .
Lei 13.010/2014 (estabelece o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante, e altera a Lei nº 9.394 (20/10/1996). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13010.htm
TASSINARI, Antonella (Org.) ; GRANDO, B. S. (Org.) ; ABUQUERQUE, Marcos Alexandre dos Santos (Org.) . Educação Indígena: Reflexões sobre noções nativas de infância, aprendizagem e escolarização. 1. ed. Florianópolis-SC: UFSC, 2012. v. 1. 304p .
I Ciranda do Brincar no Labrinca
No contexto do dia Internacional do Brincar (28/05), esta semana haverá uma série de atividades para reflexões, debates e comemorações, dentre elas o I Ciranda do Brincar no Labrinca. Segue cartaz com programação.
Dentre as atividades haverá a exibição do curta realizado junto às crianças do Colégio Aplicação a partir do uso das tecnologias disponíveis, no contexto da pesquisa de estágio pós-doutoral (Observatório de Práticas Escolares - OPE /PPGE/UDESC). Reforçando o convite então.
Aproveito também para atualizar a programação com o pré-lançamento e exibição do filme: "Território do Brincar" Projeto Território do Brincar, imperdível.

‘As crianças precisam de amor para crescerem saudáveis’, recomendam especialistas
https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/cirandadefilmes/indicacao/as-criancas-precisam-de-amor-para-crescerem-saudaveis-recomendam-especialistas/
O que tantas pessoas faziam numa quinta-feira no Cine Livraria Cultura, em São Paulo? Todas elas tinham um interesse em comum: discutir a importância da família no desenvolvimento das crianças.
Na última quinta-feira, 21 de maio, a primeira roda de conversa da Ciranda de Filmes, primeira mostra de cinema do Brasil voltada para a temática da infância e aprendizagem. O evento segue até domingo, 24 de maio.
"Mais do que qualquer coisa, a Ciranda quer proporcionar encontros. Encontros sobre os filmes exibidos na mostra e também sobre os filmes das nossas vidas", deu início a conversa Patricia Durães, uma das curadoras da Mostra e mediadora da roda.
Apesar de serem atuantes e estudiosas de diferentes áreas, as convidadas Ada Pellegrini, Rosely Sayão e Susan Andrews disseram em consenso: "as crianças precisam de laços afetivos para crescerem saudáveis e felizes".
As três palestrantes vieram não só com seus saberes de especialistas, mas carregadas também com suas lembranças de infância.
domingo, 24 de maio de 2015
Os desenhos são formas de conhecer as crianças em suas condições sociais, culturais e históricas
http://educacaointegral.org.br/noticias/os-desenhos-sao-formas-de-conhecer-criancas-em-suas-condicoes-sociais-culturais-historicas/
“Aprendi que é possível conhecer meninas e meninos, desde bem pequenos, a partir dos e com os seus desenhos”. A constatação é da professora da Universidade de São Paulo (USP), Marcia Gobbi, ao relembrar como se deu sua aproximação com o universo dos desenhos infantis, um de seus principais temas de pesquisa.
O início desse trajeto remete ao tempo em que ela era professora de educação infantil na cidade de São Paulo, atuação que a aproximou das crianças e de suas criações. No entanto, a percepção apurada sobre os desenhos infantis implicou em um exercício de sociologia de “estranhar o que é familiar”, como explica. “O fato dos desenhos estarem presentes não significa que os vejamos, que tenhamos olhares mais aguçados e preocupados com eles. Naturalizamos sua presença entre nós e isso é algo perverso, uma vez que, com isso, deixamos de efetivamente olhar para o que comunicam”, avalia.
O estranhamento, segundo ela, é condição para que se possa imaginar, problematizar o que constitui o cotidiano e é aparentemente natural. “Com isso, os traços e linhas infantis
ganham importância e se torna possível vaguear pelas retas e curvas, passeando por elas e aprendendo com elas”, o que julga fundamental. “Quando olhamos atentamente para essas produções começamos a compreendê-las em suas práticas e lógicas infantis e perceber que há diferenças a partir dos contextos e condições de criação, sendo possível observar diferenças e marcas de classes sociais, gênero, étnico raciais, entre outras”.
ganham importância e se torna possível vaguear pelas retas e curvas, passeando por elas e aprendendo com elas”, o que julga fundamental. “Quando olhamos atentamente para essas produções começamos a compreendê-las em suas práticas e lógicas infantis e perceber que há diferenças a partir dos contextos e condições de criação, sendo possível observar diferenças e marcas de classes sociais, gênero, étnico raciais, entre outras”.
Em entrevista ao Centro de Referências em Educação Integral, a professora fala mais sobre o papel dos desenhos no desenvolvimento integral de crianças e reforça que compreender essas produções diz de um movimento de sair do “confortável lugar adultocentrado e se relacionar a partir de perspectivas horizontais de relações humanas”. Confira!
Centro de Referências em Educação Integral: O que os desenhos representam para as crianças?
Marcia Gobbi: Várias são as pesquisas que se ocupam de conhecer os desenhos em distintas abordagens. Eu diria que para sabermos o que os desenhos representam para as crianças é necessário perguntar para elas. Não, não estou sendo indelicada!! Porém, nos esquecemos de perguntar e observar as crianças enquanto desenham. Somos acostumados a recolher os desenhos e considerá-los apenas em seu produto final, deixando o processo de lado. Com isso, a riqueza das escolhas e conquistas das crianças enquanto desenham são pouco vistas ou consideradas em sua plenitude.
Ainda assim, é importante que os desenhos sejam vistos e discutidos entre as crianças e por elas, por que não? Desse modo podemos começar a saber o que os desenhos representam para as meninas e meninos. Será que é a mesma coisa? As meninas desenham e valorizam os desenhos do mesmo modo que os meninos? Há condições sociais que ora consideram mais a uns que a outros?
Várias pesquisas têm nos mostrado a importância dos desenhos para as crianças como forma de orientar seu pensamento sobre o papel. O desenho pode ser visto como uma pesquisa pessoal das crianças desde pequenas e, como tal, representam conquistas, ensaios em que mundos são imaginados e criados sobre diferentes suportes e não apenas o papel. Sabe-se que são vários os locais sobre os quais desenham e as paredes, chão, areia, terra, azulejos não escapam disso e esses diferentes suportes materializam de maneiras diversas aquilo que cada criança pesquisa, experimenta, inventa e cria.
CR: E o que eles dizem sobre as crianças?
Marcia: O que os desenhos dizem sobre as crianças? Muito. Como já mencionei anteriormente são formas de conhecê-las de modo profundo em suas condições sociais, culturais, históricas. Os desenhos criados pelas crianças em 1930, no Brasil, são iguais àqueles elaborados hoje em dia, no mesmo país? Há um processo de transformações históricas, sociais, culturais e econômicas que criam diferentes contextos de criação.
As crianças, como atores sociais que são, sujeitos e ativas nesse processo, apresentam suas marcas ao longo da criação e não somente no resultado final. Em meu doutoramento, tomando a liberdade de trazê-lo como exemplo, em que estudei os desenhos das crianças dentro do acervo de desenhos do poeta Mário de Andrade, que está no Instituto de Estudos Brasileiros da USP, e é composto por mais de dois mil desenhos guardados desde 1926 até 1945, podemos observar essas transformações das quais falei.
Quando considerados na relação com os dias atuais podemos ver desde o desaparecimento das margens – frutos de modelos escolares e suas imposições – até mesmo temáticas próprias de um período, bem como, as conhecidas casinhas portuguesas que hoje já não têm tanto peso nos desenhos feitos pelas crianças.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
specialista afirma que a falta de tempo para pensar, sentir e filtrar estímulos, característica da infância no contemporâneo, é o maior causador desse estresse
http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/05/05/interna_vidaurbana,574737/para-livrar-as-criancas-do-pensamento-acelerado.shtml#.VUksj3TSSlE.facebook
Fadiga excessiva ao acordar, dores de cabeça e pelo corpo, sensação de "nó na garganta", queda de cabelo, facilidade para frustração, dificuldade de lidar com pessoas "lentas", sofrimento por antecipação, déficit de concentração e de memória. Se você tem alguns destes sintomas associados, vale o alerta: pode estar sofrendo de ansiedade. Estas características foram elencadas pelo psiquiatra, psicoterapeuta e escritor Augusto Cury como sintomas do problema que define como “mal do século”, título de uma de suas publicações de sucesso. Estudioso do assunto, o médico aponta que, enquanto a depressão atinge 20% da população do planeta, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% sofrem de ansiedade.
Nesta quarta-feira, Cury estará no Recife para falar sobre ansiedade. O Diario antecipa o debate chamando atenção para um dado impactante: grande parte das crianças está sendo atingida pelo que o especialista chama de "síndrome do pensamento acelerado" (SPA), para ele , o maior causador da ansiedade. "Nós estamos assistindo o assassinato coletivo da infância. Nossas crianças estão realizando um trabalho intelectual escravo legalizado, são colocadas em mil cursos mais televisão, internet, celular, smartphone. Elas não têm tempo de desenvolver o processo de elaboração, de experimentar-se nas dificuldades, não têm tempo para a arte da contemplação, capacidade de estruturar-se, trabalhar as perdas e frustrações. Com certeza, essa melhor época para formar as funções da inteligência sócio emocional está sendo perdida, e a infância perdida gera consequências graves", alerta o especialista.

família tem papel fundamental nesse “despertar” da criança. "Os pais e as escolas têm que ensinar a arte da contemplação do belo, que é diferente de admirar. Contemplar é se entregar, absorver o máximo, dialogar de forma inteligente. Os pais têm de cruzar a história com seus filhos, dar aquilo que o dinheiro não compra, falar das suas lágrimas, crises e dificuldades para que eles entendam que ninguém vive de pódio e entendam como usar essas lágrimas para ter sucesso. No mundo todo estão errando, dando excesso de brinquedos, sem saber que o consumismo vicia o córtex cerebral, levando essas crianças a precisarem de cada vez mais para sentirem migalhas de prazer. Isso é muito grave. Também não são as melhores notas que formam melhores profissionais, mas as habilidades emocionais. Essas crianças estão adoecendo", alerta Augusto Cury.
O pai de Vitor Augusto comemora o fato de não mais precisar controlar o uso do celular pelo filho: "Ele continua com as atividades normais, mas agora tem domínio. Sempre mostrei que essas coisas são para nos servir, não para sermos escravos delas. Ele sabe se comportar com o celular dele, coisa que o faz ficar mais amadurecido. Ele mesmo sabe a hora de usar. Claro, ele tem 10 anos e às vezes a gente precisa conversar, mas está sempre receptivo. Ele ouve", comenta. O garoto, por sua vez, diz que se sente “curado” de uma sensação que interferia em sua vida. "Acho que mudou muita coisa. Antigamente eu fazia bagunça, era um aluno ruim, melhorei no estudo, minhas notas subiram muito. Fiquei uma pessoa mais livre, aberta para falar o que sinto, mais feliz, sem medo, sem aquela angústia dentro", comenta com naturalidade.
Consciência e autocontrole
Essa conexão consigo e com os outros é, para o psicanalista Augusto Cury, o ponto chave da questão."Se a sociedade nos abandona, a solidão é suportável, mas se nós mesmos nos abandonarmos é intolerável. Estamos assistindo a um auto-abandono coletivo. As pessoas não se conectam consigo mesmas. Também é importante criticar, discordar. Nunca numa sociedade livre houve tantos escravos. Estamos escravizados dentro de nós mesmos. O mundo está começando a despertar para a importância da inteligência emocional vital para o futuro de uma criança, das empresas, da sociedade, de um país", alega.
Para os adultos, Cury adianta que nem tudo está perdido e que é possível, sim, deixar de ser uma pessoa ansiosa. Segundo o psiquiatria, não é possível deletar o que está registrado, mas para reciclar esse "lixo", todos os dias as pessoas devem criticar os pensamentos perturbadores, as emoções, duvidar de falsas crenças, dos sentimentos de incapacidade, de exclusão e determinar estrategicamente uma postura tranquila, serena, pró-ativa. "Essa técnica se chama duvidar, criticar e determinar. Reúne o princípio da sabedoria na psicologia, nos recursos humanos, gera autocontrole, desacelera o pensamento e liberta o imaginário. É revolucionária. Em cinco segundos, um pensamento pode mudar nossa vida. Todos os seres humanos, jovens e adultos, devem criticar cada ideia perturbadora no exato momento em que ela aparece. Se não, um fenômeno inconsciente faz registro automático da memória em milésimos de segundo”, defende.
Ansiedade x diálogo
A mãe de uma criança de dois ou três anos de idade segura em uma das mãos o prato do almoço e na outra o celular, andando atrás do filho, que dá os comandos de quando e o quanto vai comer. Cenas como essa, testemunhada pelo piscólogo infantil Carlos Brito, podem ser vistas frequentemente em qualquer ambiente. Nas mesas dos restaurantes, celulares, tablets, smartphones são posicionados estrategicamente para garantir que as crianças e a família façam a refeição.
"Nessa hora, a tecnologia entra como mediador no lugar do diálogo, da lei da mãe. Isso é um gerador da ansiedade. A criança vai levar isso para qualquer situação, passando a ser a forma dela estar no mundo. A gente vê pais com dificuldade de colocar limites”, opina o psicólogo. O limite, para Brito, deve ser construído junto à família. “Depende dos acordos do dia a dia. Crianças pequenas devem ser expostas o menor número de horas possível aos games. É preciso ver onde isso está substituindo o diálogo da família", sugere.
O terapeuta, também professor do curso de piscologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), tem estudado os efeitos dos jogos eletrônicos na aceleração do pensamento infantil e acredita que o excesso pode contribuir para interferir nessa questão de comportamento, na ansiedade e nos diagnósticos cada vez mais comuns de hiperatividade e deficit de atenção. "Pesquisas que venho fazendo mostram o lado positivo da tecnologia em trabalhar o raciocínio lógico, numa nova forma de narrativa contemporânea, mas que vem contribuindo bastante e, de fato, acelerando esse nível de pensamento da criança. Os jogos atingem diretamente a questão neurológica da criança, acelerando as sinapses nervosas e, se isso se não for bem conduzido, pode gerar uma ansiedade", aponta.
Ansiosa por excelência, a criança tem encontrado no mundo atual um cenário em que impera o imediatismo e parâmetros pouco saudáveis a seguir. Aliando-se a fatores como a cobrança social, a ansiedade encontra terreno fértil para deixar de ser uma resposta natural de defesa do organismo, uma reação momentânea, para virar um estado de ser no mundo da criança, tornando-se prejudicial. "O mundo que ela vive é assim. É o modelo que ela tem: o gozo pleno, a satisfação imediata nas necessidades. A ansiedade, que seria natural, passa a ser algo preocupante, vai na frente, impedindo que ela compreenda a situação. Tudo no ser humano é tênue, é do humano, é natural. O que passa a ser preocupante, entre o normal e o patológico, é a intensidade. Como a criança pequena ainda não tem emocionalmente uma maneira de controlar essa aceleração, principalmente neurológica, tem dificuldade de adiar a resolução do desejo.Ela vai querer sempre mais e não tem esse controle. Se nós adultos temos dificuldade de desgrudar de um whatsapp, imagine uma criança que ainda não tem, do ponto de vista emocional e cognitivo, esse limite".
Para o psicólogo, é alarmente quando essa ansiedade de forma exagerada, toma o corpo, a verbalização, o emocional, a fala, e passa a influenciar a vida da criança, que apresenta uma dificuldade real em aguardar a resolução de uma situação. "A ansieade, que num primeiro momento acomete o emocional, começa a se apropriar da esfera geral e você começa a ver reações de crianças mais ativas, agitadas. Com quatro, cinco, seis anos, muitas vezes vem o diagnóstico de hiperatividade, deficit de atenção", aponta.
O diálogo, mais uma vez, pode ser a chave da questão, questionando, informando, ensinando, educando. Mas, para o psicólogo, ajuda muito a forma como tudo é dito à criança: "Os pais, por viverem também num mundo de pressa, muitas vezes não dão respostas capazes de satisfazer essa ansiedade. É preciso falar de uma maneira que tenha mais a ver com o universo infantil, deixar mais claro, exemplificando: “Já expliquei, vai ter que dormir dois dias', 'vai ser no dia em que a gente não estuda nem trabalha'". Um exercício diário, mas com efeitos urgentes e de longa duração.
Fadiga excessiva ao acordar, dores de cabeça e pelo corpo, sensação de "nó na garganta", queda de cabelo, facilidade para frustração, dificuldade de lidar com pessoas "lentas", sofrimento por antecipação, déficit de concentração e de memória. Se você tem alguns destes sintomas associados, vale o alerta: pode estar sofrendo de ansiedade. Estas características foram elencadas pelo psiquiatra, psicoterapeuta e escritor Augusto Cury como sintomas do problema que define como “mal do século”, título de uma de suas publicações de sucesso. Estudioso do assunto, o médico aponta que, enquanto a depressão atinge 20% da população do planeta, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% sofrem de ansiedade.
Nesta quarta-feira, Cury estará no Recife para falar sobre ansiedade. O Diario antecipa o debate chamando atenção para um dado impactante: grande parte das crianças está sendo atingida pelo que o especialista chama de "síndrome do pensamento acelerado" (SPA), para ele , o maior causador da ansiedade. "Nós estamos assistindo o assassinato coletivo da infância. Nossas crianças estão realizando um trabalho intelectual escravo legalizado, são colocadas em mil cursos mais televisão, internet, celular, smartphone. Elas não têm tempo de desenvolver o processo de elaboração, de experimentar-se nas dificuldades, não têm tempo para a arte da contemplação, capacidade de estruturar-se, trabalhar as perdas e frustrações. Com certeza, essa melhor época para formar as funções da inteligência sócio emocional está sendo perdida, e a infância perdida gera consequências graves", alerta o especialista.
família tem papel fundamental nesse “despertar” da criança. "Os pais e as escolas têm que ensinar a arte da contemplação do belo, que é diferente de admirar. Contemplar é se entregar, absorver o máximo, dialogar de forma inteligente. Os pais têm de cruzar a história com seus filhos, dar aquilo que o dinheiro não compra, falar das suas lágrimas, crises e dificuldades para que eles entendam que ninguém vive de pódio e entendam como usar essas lágrimas para ter sucesso. No mundo todo estão errando, dando excesso de brinquedos, sem saber que o consumismo vicia o córtex cerebral, levando essas crianças a precisarem de cada vez mais para sentirem migalhas de prazer. Isso é muito grave. Também não são as melhores notas que formam melhores profissionais, mas as habilidades emocionais. Essas crianças estão adoecendo", alerta Augusto Cury.
O pai de Vitor Augusto comemora o fato de não mais precisar controlar o uso do celular pelo filho: "Ele continua com as atividades normais, mas agora tem domínio. Sempre mostrei que essas coisas são para nos servir, não para sermos escravos delas. Ele sabe se comportar com o celular dele, coisa que o faz ficar mais amadurecido. Ele mesmo sabe a hora de usar. Claro, ele tem 10 anos e às vezes a gente precisa conversar, mas está sempre receptivo. Ele ouve", comenta. O garoto, por sua vez, diz que se sente “curado” de uma sensação que interferia em sua vida. "Acho que mudou muita coisa. Antigamente eu fazia bagunça, era um aluno ruim, melhorei no estudo, minhas notas subiram muito. Fiquei uma pessoa mais livre, aberta para falar o que sinto, mais feliz, sem medo, sem aquela angústia dentro", comenta com naturalidade.
Consciência e autocontrole
Essa conexão consigo e com os outros é, para o psicanalista Augusto Cury, o ponto chave da questão."Se a sociedade nos abandona, a solidão é suportável, mas se nós mesmos nos abandonarmos é intolerável. Estamos assistindo a um auto-abandono coletivo. As pessoas não se conectam consigo mesmas. Também é importante criticar, discordar. Nunca numa sociedade livre houve tantos escravos. Estamos escravizados dentro de nós mesmos. O mundo está começando a despertar para a importância da inteligência emocional vital para o futuro de uma criança, das empresas, da sociedade, de um país", alega.
Para os adultos, Cury adianta que nem tudo está perdido e que é possível, sim, deixar de ser uma pessoa ansiosa. Segundo o psiquiatria, não é possível deletar o que está registrado, mas para reciclar esse "lixo", todos os dias as pessoas devem criticar os pensamentos perturbadores, as emoções, duvidar de falsas crenças, dos sentimentos de incapacidade, de exclusão e determinar estrategicamente uma postura tranquila, serena, pró-ativa. "Essa técnica se chama duvidar, criticar e determinar. Reúne o princípio da sabedoria na psicologia, nos recursos humanos, gera autocontrole, desacelera o pensamento e liberta o imaginário. É revolucionária. Em cinco segundos, um pensamento pode mudar nossa vida. Todos os seres humanos, jovens e adultos, devem criticar cada ideia perturbadora no exato momento em que ela aparece. Se não, um fenômeno inconsciente faz registro automático da memória em milésimos de segundo”, defende.
Ansiedade x diálogo
A mãe de uma criança de dois ou três anos de idade segura em uma das mãos o prato do almoço e na outra o celular, andando atrás do filho, que dá os comandos de quando e o quanto vai comer. Cenas como essa, testemunhada pelo piscólogo infantil Carlos Brito, podem ser vistas frequentemente em qualquer ambiente. Nas mesas dos restaurantes, celulares, tablets, smartphones são posicionados estrategicamente para garantir que as crianças e a família façam a refeição.
"Nessa hora, a tecnologia entra como mediador no lugar do diálogo, da lei da mãe. Isso é um gerador da ansiedade. A criança vai levar isso para qualquer situação, passando a ser a forma dela estar no mundo. A gente vê pais com dificuldade de colocar limites”, opina o psicólogo. O limite, para Brito, deve ser construído junto à família. “Depende dos acordos do dia a dia. Crianças pequenas devem ser expostas o menor número de horas possível aos games. É preciso ver onde isso está substituindo o diálogo da família", sugere.
O terapeuta, também professor do curso de piscologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), tem estudado os efeitos dos jogos eletrônicos na aceleração do pensamento infantil e acredita que o excesso pode contribuir para interferir nessa questão de comportamento, na ansiedade e nos diagnósticos cada vez mais comuns de hiperatividade e deficit de atenção. "Pesquisas que venho fazendo mostram o lado positivo da tecnologia em trabalhar o raciocínio lógico, numa nova forma de narrativa contemporânea, mas que vem contribuindo bastante e, de fato, acelerando esse nível de pensamento da criança. Os jogos atingem diretamente a questão neurológica da criança, acelerando as sinapses nervosas e, se isso se não for bem conduzido, pode gerar uma ansiedade", aponta.
Ansiosa por excelência, a criança tem encontrado no mundo atual um cenário em que impera o imediatismo e parâmetros pouco saudáveis a seguir. Aliando-se a fatores como a cobrança social, a ansiedade encontra terreno fértil para deixar de ser uma resposta natural de defesa do organismo, uma reação momentânea, para virar um estado de ser no mundo da criança, tornando-se prejudicial. "O mundo que ela vive é assim. É o modelo que ela tem: o gozo pleno, a satisfação imediata nas necessidades. A ansiedade, que seria natural, passa a ser algo preocupante, vai na frente, impedindo que ela compreenda a situação. Tudo no ser humano é tênue, é do humano, é natural. O que passa a ser preocupante, entre o normal e o patológico, é a intensidade. Como a criança pequena ainda não tem emocionalmente uma maneira de controlar essa aceleração, principalmente neurológica, tem dificuldade de adiar a resolução do desejo.Ela vai querer sempre mais e não tem esse controle. Se nós adultos temos dificuldade de desgrudar de um whatsapp, imagine uma criança que ainda não tem, do ponto de vista emocional e cognitivo, esse limite".
| Os jogos atingem diretamente a questão neurológica da criança, acelerando as sinapses nervosas e, se isso se não for bem conduzido, pode gerar ansiedade. Foto: Reprodução/ Internet |
Para o psicólogo, é alarmente quando essa ansiedade de forma exagerada, toma o corpo, a verbalização, o emocional, a fala, e passa a influenciar a vida da criança, que apresenta uma dificuldade real em aguardar a resolução de uma situação. "A ansieade, que num primeiro momento acomete o emocional, começa a se apropriar da esfera geral e você começa a ver reações de crianças mais ativas, agitadas. Com quatro, cinco, seis anos, muitas vezes vem o diagnóstico de hiperatividade, deficit de atenção", aponta.
O diálogo, mais uma vez, pode ser a chave da questão, questionando, informando, ensinando, educando. Mas, para o psicólogo, ajuda muito a forma como tudo é dito à criança: "Os pais, por viverem também num mundo de pressa, muitas vezes não dão respostas capazes de satisfazer essa ansiedade. É preciso falar de uma maneira que tenha mais a ver com o universo infantil, deixar mais claro, exemplificando: “Já expliquei, vai ter que dormir dois dias', 'vai ser no dia em que a gente não estuda nem trabalha'". Um exercício diário, mas com efeitos urgentes e de longa duração.
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