Manifesto “Criança, já pra fora!”
Nelson Mandela, esse grande herói do nosso tempo, que dizia que o verdadeiro caráter de uma sociedade é revelado pela forma com que ela trata suas crianças.
Nossos filhos e filhas são nosso maior bem. Queremos protege-los de todo mal; a maioria de nós seria capaz de sacrificar a própria vida pela sua felicidade.
No entanto, há um paradoxo: essas mesmas crianças que são nosso maior tesouro, vem sendo muito mal tratadas por nossa sociedade.
Com relação às crianças pobres, a maioria em nosso país, somos simplesmente criminosos: elas são privadas de direitos básicos, não tem acesso à uma boa educação, à saúde, à moradia e alimentação, são tratadas com negligência e violência. E se alguma se comporta mal, o que propomos? A cadeia.
Mas mesmo para filhos e filhas de famílias de posição social privilegiada, a situação também não anda boa.
Convivem pouco com os pais, ficam muitas vezes o dia inteiro em creches e instituições – estamos perdendo a intimidade com nossas crianças. São confinadas entre quatro paredes, e sua energia natural para correr, pular e brincar é reprimida. Passam 5, 6, 8 horas por dia em frente a telas de tablets, telefones e TVs, viciadas em distração compulsiva e sendo educadas por uma publicidade nociva, que instila consumismo, alienação e materialismo. Se alimentam de alimentos industriais que prejudicam sua saúde, ou de vegetais inundados de agrotóxicos. Não conseguimos mais dar limites; ganham presentes demais e presença de menos. São superprotegidas e não aprendem a lidar com frustrações e dificuldades. Tem compromissos demais, e tempo para o brincar livre e criativo de menos. Todas esses fatores nocivos se alimentam uns aos outros, em ciclos viciosos cada vez mais complexos.
Quando depois disso tudo se comportam mal, são desatentas, agitadas ou rebeldes, o que lhes propomos? Em vez de refletir e transformar esse contexto negativo, a sociedade impõe a pior violência: a medicalização. Rotulamos crianças normais e saudáveis como doentes e portadoras de transtornos, e normatizamos seu comportamento com drogas psicoativas com efeitos colaterais graves.
Mas há outros caminhos possíveis. Uma situação complexa como essa não se resolve de uma vez; mas precisamos puxar um fio do novelo, começar a criar ciclos virtuosos em vez de viciosos.
Há muito sabemos o que nos faz saudáveis, como indivíduos e sociedade. São fatores como trabalho e renda dignas, educação, boa moradia, saneamento, boa alimentação, atividade física / recreação, convívio em espaços públicos e naturais, vida cultural, e uma distribuição justa destes direitos.
O que fica cada vez mais claro é a convergência de saúde humana – física, mental, espiritual social – com a saúde planetária, e sustentabilidade. Tudo que você faz para beneficiar sua saúde, vai beneficiar também o meio ambiente; e tudo que faz bem à natureza, faz bem à saúde. Veja: andar de bicicleta faz bem ao corpo e à cidade; transporte coletivo – reduz a poluição, reduz o tempo de deslocamento e aumenta o tempo de convívio; cuidar dos resíduos e reciclar diminui doenças como a dengue e poupa os recursos naturais; comer orgânicos – faz bem ao solo, aos rios, aos animais e ao corpo.... tudo converge.
Uma maneira simples, factível e eficaz de começar a reverter os ciclos de males para a infância é trazer crianças e famílias para o espaço aberto, a rua, o parque, a natureza.
Os benefícios diretos dessa atitude aparentemente tão simples e são inúmeros, e muito importantes:
• Afasta das telas – regula o uso de aparelhos, gera mais consciência e menos distração;
• Reduz o consumismo e o materialismo excessivo;
• O livre brincar promove a inteligência, humor, imaginação e criatividade;
• Promove o convívio afetivo entre pais, avós e filhos, e entre crianças de diversas idades, capacidades, extratos sociais – desenvolve a empatia;
• Pelo contato com o sol e o ar puro e o verde, induzem a recreação e atividade física, e promovem o bem estar físico, emocional e mental;
• A ciência diz: reduz a obesidade, hiperatividade, agressividade, alergias, distúrbios do sono;
• Ciência de novo: melhora a imunidade, a atenção, a escolaridade e socialização.
• Reduz o consumismo e o materialismo excessivo;
• O livre brincar promove a inteligência, humor, imaginação e criatividade;
• Promove o convívio afetivo entre pais, avós e filhos, e entre crianças de diversas idades, capacidades, extratos sociais – desenvolve a empatia;
• Pelo contato com o sol e o ar puro e o verde, induzem a recreação e atividade física, e promovem o bem estar físico, emocional e mental;
• A ciência diz: reduz a obesidade, hiperatividade, agressividade, alergias, distúrbios do sono;
• Ciência de novo: melhora a imunidade, a atenção, a escolaridade e socialização.
Lugares abertos são lugares criança ser criança, inventar sua própria narrativa, usar a imaginação, experimentar a vida em sua plenitude.
Tudo que é humano se beneficia. Estudos mostram que os indicadores de saúde pública melhoram apenas tornando os bairros mais verdes. As desigualdades em saúde diminuem com arborização e construção e manutenção de áreas verdes e de recreação.
Muito especialmente, a volta ao espaço aberto e ao contato com natureza nos abre uma outra perspectiva: a conquista da rua, da cidade, do espaço público pelas famílias. Não estamos falando de condomínios com Espaço Gourmet, Espaço Fitness e agora com... Espaço Green. Isso só aumenta a desigualdade, e essa é a maior causa de doença no Brasil.
Estamos falando de vencer os muros, do convívio com a diferença, com a diversidade, com outras realidades sociais. Da construção da empatia, da cidade democrática, abraçada pelos seus cidadãos, pertencente à eles e não aos carros, ao crime ou à especulação. A cidade verde, governada para a equidade, a saúde e a sustentabilidade.
Muitas iniciativas vem surgindo, caminhando nessa direção. A palavra “ocupar”, antes usada como símbolo de resistência cidadã, agora significa também a ocupação dos espaço público. São milhares de iniciativas de indivíduos, grupos, organizações, empresas, propondo atividades na natureza, festivais, jogos e brincadeiras, mutirões de conservação e embelezamento de praças, hortas escolares e comunitárias, passeios a pé, atividades em parques naturais.
Essa é a grande solução para as nossas cidades. Famílias na rua, exigindo politicas públicas que nos ofereçam praças e parques bem cuidados e cheios de vida e cultura, ciclovias e transporte público de qualidade, atividades escolares que garantam o direito de crianças da periferia aos espaços naturais, e muito mais.
Nesta página nos propomos a disseminar e divulgar as boas práticas e iniciativas que promovam essa reconquista do espaço público e da natureza. Mandem para nós os links de suas iniciativas – desde campanhas, organizações e alianças, até programações em praças e parques locais. Queremos ser um “hub” que dissemine essa ideia e a sua colocação em prática.
Vamos pra rua, vamos brincar, e participar da construção de cidades abertas, conviviais, verdes, brincantes, equitativas. Cidades mais saudáveis e mais felizes.

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