quarta-feira, 6 de maio de 2015

Internet, banalidade e infância mercantilizada

http://outraspalavras.net/destaques/internet-banalidades-e-mercantilizacao-da-infancia/

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Nesses tempos de consumo e conectividade temos também assistido, impunemente, a um crescente movimento de espetacularização de crianças nas redes sociais. Conhecidas e reconhecidas pelo mercado, as Youtubers mirins são pequenas celebridades que detêm canais no Youtube e perfis em diferentes redes sociais, comumente Instagram – e chegam a mais de 240 mil assinantes ou seguidores e impressionantes 91.974.702 visualizações de seus vídeos.
O conteúdo produzido, exposto e compartilhado por essas crianças vai desde merchandising e demonstração de produtos até criações originais como funk ostentação, receitas e dicas de culinária ou aulas de fitness produzidas pela mais nova blogueira de 9 anos – como apontado em uma entrevista da pedagoga Ana Lucia Villela no O Estado de São Paulo. Não temos como saber o que veio primeiro nessa história. Talvez os canais de celebridades mirins tenham surgido de maneira espontânea e, ao criar um público e uma rede de produtores de conteúdo, foram sendo procurados pelo mercado – que hoje enxerga as crianças como promotoras de vendas. Ou talvez os próprios pais tenham criado esses canais, como fazia no filme citado uma das mães, obsessivamente, para expor seus filhos.
A questão fundamental é: se tanto o Youtube quanto o Instagram não permitem o uso de suas redes por menores de 13 anos, como podem existir esses canais? Ou algumas famílias usam subterfúgios ou as próprias crianças omitem ou revelam mentiras sobre a sua idade. Dados da pesquisa Kids Online, de 2012, sugerem que esta prática é bastante comum: apenas 27% dos entrevistados de 9 a 16 anos declaravam informar corretamente a idade nas redes sociais. A maioria (57%) afirmou optar por idade falsa.
Além disso, observamos o crescimento de um modelo transmídia de publicidade direcionada a crianças que têm a internet como centro, o que traz à tona a necessidade de pensarmos em mecanismos eficazes para garantir proteção aos direitos das crianças contra abusos do mercado cometidos por marcas infantis em sites e redes sociais, ou ainda no caso dos Youtubers Mirins. O problema da relação das crianças com as redes não está mais restrito a questões ligadas à sexualidade ou à postagem de conteúdos privados ou impróprios, mas envolve hoje, também, abusos cometidos pela publicidade dirigida às crianças na internet.

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